terça-feira, 25 de abril de 2017

Tu és o verdadeiro inimigo do teu tempo

A gestão de tempo tem os seus inimigos. Nós podemos ter um bom planeamento, podemos gerir tudo bem, encaixando e otimizando a nossa agenda, mas se nos deixarmos apanhar por estas armadilhas, dificilmente conseguiremos o resultado que estamos a desejar.

Podemos falar de redes sociais, de trânsito, de falta de instrumentos, de tanta, tanta coisa.

O mais determinante, destes amigos da onça, aquele que mais impede a nossa eficiente gestão de tempo é a procrastinação. A procrastinação é o adiarmos o que precisamos fazer. É inventarmos mil e uma desculpa para não estarmos a fazer o que deveríamos.
Mas tem atenção a isto, a procrastinação não existe por si mesma. Há fatores que a geram, que levam a que exista e são eles que devemos procurar conhecer e combater.

Quando gostamos de fazer alguma coisa ou quando nos sentimos entusiasmos com algo não procrastinamos. Há pessoas que ainda assim o fazem, mas nesse caso estaremos perante uma questão de atitude, de energia que deve ser observada, não vá esconder algo mais profundo que leva a uma tão grande desmotivação.

Então, quero dizer que a procrastinação advém de não teremos entusiasmo a fazer algum coisa? Sim, quero. Mas quero ir mais além. É que por falta de entusiamo eu não quero significar que a culpa é da atividade ou da tarefa que temos em mão, pelo contrário. Quero dizer que há algo em nós que não nos deixa ver sentido naquilo que estamos a fazer.

E este, penso eu, é o verdadeiro cerne da procrastinação. Procrastinamos porque não vemos sentido, propósito, no que temos para fazer. Este é o verdadeiro vilão na gestão de tempo.

Termos uma agenda cheia, um conjunto de tarefas a executar e não conseguirmos discernir o sentido para fazer aquilo, retira-nos a energia e leva-nos a protelar e a protelar, até termos tantas coisas para fazer que nos sentimos ameaçados e o nosso instinto nos dá o motivo certo para agirmos, isso mesmo, a nossa sobrevivência.

Assim sendo, o que aqui te alerto é para isto, quando queres gerir o teu tempo tens que dar sentido às tuas opções. Certo, certo, não vês sentido na limpeza da casa, uma vez que assim que limpas fica logo suja outra vez, é uma tarefa cansativa, aborrecida e monótona. Mas vê bem. Não é um prazer teres a casa sempre limpa e arrumada. Não é bom saberes que a casa está higiénica, que proteges a tua família de doenças e que o teu lar proporciona bem-estar e ninho a ti, à tua família e aos teus amigos? Sim, se vires assim então a limpeza da casa já tem um sentido muito válido, verdade? 

Poderás ver todas as atividades que tens desta forma e caso haja alguma atividade para a qual não encontres mesmo sentido, se calhar deverias repensar a sua existência na tua agenda, não te parece?
Vamos ver outro exemplo. Não gostas do teu trabalho. Certo, certo. É enfadonho e não estás a fazer o que gostarias, muito bem, ou melhor muito mal, mas diz-me trabalhas para quê? Tens um sentido para trabalhar, verdade? Poderá ser tão, simplesmente, porque precisas do dinheiro para viver. E para viver significa o quê? Comeres, ter casa, roupa, passeares...e isso não é ter significado?

Vamos mais profundamente. Trabalho porque preciso mas apesar desse significado, não me reconheço nas tarefas que faço, por isso não tenho vontade de fazê-las. Pois bem, até pode ser. Mas e não tens brio? Não tens gosto em seres bom no que fazes? Não digo excelente, perfeito. Nada disso. Não gostas de sentir que fazes a tua parte, que és uma pessoa em quem os outros podem contar? Isso não é ter sentido?

Poderia estar aqui a noite/dia todo a dar-te exemplos. Mas não vale a pena, seria sempre este o caminho. O que quero mesmo transmitir-te é isto:

O pior inimigo da tua gestão de tempo és tu próprio quando não consegues dar sentido às tuas atividades. Todas elas existem por uma razão, todas elas têm mais do que um sentido. Resta-te a tarefa de procurares aquele sentido que te motivará a agir e focares-te nele.


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