quinta-feira, 9 de março de 2017

A história de Belle, em três livros - Lesley Pearse

Lesley Pearse foi uma descoberta magnífica. Sinto-me afortunada por conhecer os seus livros e por ter o privilégio de a ler e ler e ler.
Há uma característica dos seus livros que por vezes me aborrece, as histórias são sempre sobre mulheres muito fortes, perseverantes e corajosas. Por vezes gostava de encontrar nos seus livros uma mulher menos capaz. Talvez esteja lá, eu é que ainda não peguei nesse livro, tenho ainda muitos para ler. Mas sinceramente acredito que esta característica é o cunho mais forte da sua personalidade de escritora, é, verdadeiramente, a transparência da sua experiência de vida e é esta transparência que dá sentido à sua assinatura de autora.

Uma coisa te digo, as capas não fazem justiça à natureza e profundidade dos livros. Não te deixes enganar. Os livros são obras incansáveis de pesquisa, conhecimento, interligação e criatividade.

Tratam-se de histórias, nas quais a trama por si só não é por aí além, mas com um fundo histórico muito marcante. A narrativa é pejada de informação descritiva e factual da historia mundial, com o foco principal no Reino Unido.

Muito embora estes três livros, que se traduzem em cerca de 1.670 páginas não nos sejam apresentados como trilogia, trata-se, de facto, da história contínua da vida de Belle. No primeiro livro encontramo-la aos quinze anos e lemos todas as peripécias que vive enquanto se torna mulher, no segundo vemo-la já adulta com a vida assente e com decisões importantes a tomar, no terceiro apanhámo-la como personagem secundária e mãe de Mariette, uma adolescente rebelde.

É certo que se pode ler cada um dos livros sem ler os restantes, aliás eu comecei pelo último e nem por isso perdi qualquer emoção ou ensejo de leitora. No entanto a leitura dos três torna a construção das personagens excelente e o fio condutor da história global muito rico e bem conseguido.

Através da trama, marcada pelas eventualidades dramáticas vividas pelas várias personagens, Lesley faz-nos um retrato histórico muito pormenorizado e vívido, mas sem entrar em descrições aborrecidas ou monótonas.

A construção das personagens também é muito bem feita. Lesley não se cinge à profundidade da personagem principal, mas dota todos aqueles que são elementos consistentes da história de uma grande densidade de características, emoções, raciocínios e reações.

Estas três histórias são uma leitura muito rica, marcante e muito prazerosa. Todas as características que gosto num livro! 


Sinopses:
(retirei da Wook)

Sonhos Proibidos
Belle tem quinze anos e uma vida protegida. Graças aos cuidados da ama, ela nunca se apercebeu de que a casa onde vive é um bordel, regido com mão de ferro pela sua mãe. Porém, a verdade encontra sempre maneira de se revelar… Para Belle, será no trágico dia em que assiste ao assassinato de uma das raparigas da casa. Ingénua e indefesa, ela fica à mercê do criminoso, que a rapta e leva para Paris, onde se inicia como cortesã. Afastada do único lar que conheceu, a jovem refugia-se nas memórias de infância e acalenta o sonho de voltar aos braços do seu primeiro amor, Jimmy.

Mas Belle já não é senhora do seu destino. Prisioneira da sua própria beleza, é alvo do desejo dos homens e da inveja das mulheres. Longe vão os anos da inocência e, quando é levada para a exótica e decadente cidade de Nova Orleães, ela acaba por apreciar o estilo de vida que o Novo Mundo tem para lhe oferecer. Mas o luxo e a voluptuosidade que a rodeiam não mitigam as saudades que sente de casa e Belle está decidida a tomar as rédeas da sua vida. Um sonho que pode ser-lhe fatal pois há quem esteja disposto a tudo para não a perder. No seu caminho, como barreiras fatais, erguem-se um continente selvagem e um oceano impiedoso. Conseguirá o poder da memória dar-lhe forças para sobreviver a uma viagem impossível?

A Promessa
No início de julho de 1914, a Europa vive os seus últimos dias de inocência.

A jovem Belle realizou os seus sonhos. A uma infância pouco comum seguiram-se anos dramáticos, ao longo dos quais quase cedeu ao desespero. Mas a sua coragem e determinação prevaleceram. A sua vida é agora feliz. Está casada com Jimmy, o seu primeiro amor, e conseguiu abrir a elegante loja de chapéus que sempre desejou. Mas a História do mundo está prestes a mudar. A I Guerra Mundial vai arrastar consigo milhões de pessoas. Belle e Jimmy abdicam de tudo para defenderem o seu país. São ambos destacados para França, onde Jimmy vai arriscar a vida nas trincheiras e Belle conduz uma ambulância da Cruz Vermelha. É um tempo de devastação sem precedentes em que sobreviver a cada dia representa uma vitória. E é quando o passado menos ocupa os seus pensamentos que Belle será obrigada a confrontá-lo pela derradeira vez.

Bastará um momento. Um homem. Um olhar.
Entre a luta pela sobrevivência, uma paixão proibida e a lealdade devida a um grande amor, Belle está perante uma escolha impossível. Mas ao viver na pele um dos mais sangrentos conflitos da História, terá ela poder sobre o seu destino?

És o Meu Destino
1938. A Nova Zelândia é um país belo e tranquilo. Um paraíso de onde Mariette, filha de Belle e de Étienne, só pensa em fugir. Cansada da tacanhez da pequena cidade onde vive, ela está disposta a embarcar para a Europa mesmo sabendo que essa viagem poderá ser-lhe fatal. O mundo prepara-se para a guerra, mas, para a irreverente Mariette, ficar é uma alternativa bem pior.
Chegada a Londres, a jovem depressa se deixa encantar pelas suas tentações e esquece o breve vislumbre que teve do amor. Londres é tudo aquilo com que sempre sonhou. Mas a noite do seu vigésimo-primeiro aniversário vai mudar tudo. Os violentos bombardeamentos nazis transformam a cidade mais vibrante da Europa num pesadelo de terror, devastação e morte. Pela primeira vez, ela sente o peso esmagador da solidão. É dos escombros da guerra, porém, que emergirá uma nova Mariette. A adolescente egoísta dá lugar a uma mulher forte, madura e abnegada que está disposta a tudo - até a morrer - para ajudar os mais desprotegidos. E é no seu momento mais vulnerável que o amor lhe bate à porta. Um amor tão inquieto e desesperado quanto o mundo que a rodeia.


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