terça-feira, 23 de junho de 2015

Não quero ser especial

Quando escrevi sobre a importância do Rumo Pessoal, referi que, para mim, descobri-lo tinha sido um processo difícil e demorado. Mas que um dia, como o culminar de uma longa jornada de auto-conhecimento e de entrega pessoal, tinha conseguido perceber qual era o caminho que eu gostaria de percorrer. Foi sobre esta descoberta que defini os 4 pilares que, agora, são a minha bússola (aos quais irei dedicar os próximos posts), que me orientam e me ajudam a fazer escolhas e a tomar decisões.

Mas para perceber a escolha que fiz por estas quatro referências há que conhecer um pouco da essência da minha reflexão e daquilo com que me identifico. 

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Desde muito cedo que percebi que a minha ambição não estava de acordo com o comummente visto. Eu não ambicionava uma carreira maravilhosa, nem uma casa enorme, nem um ordenado de meter inveja. Eu não queria muito, eu queria uma vida pacata, meio despojada, com uma vertente muito virada para as relações humanas, para o conhecimento e para o contributo desinteressado.

No entanto, durante muito tempo, envergonhei-me por ser uma pessoa sem ambição. Pensava em mim como preguiçosa, desinteressada e conformada. Muitos me diziam "tens tantas capacidades e não fazes nada com elas!". Estes comentários chocavam-me e derrubavam a minha auto-estima. Eu não queria ser menos dos que os outros, mas sempre que tentava ser daquela forma, ambiciosa, entrava em crises de angustia e de isolamento. 

Até que um dia aceitei o que sou. Eu não quero ser ninguém especial, eu não quero ter nada de especial. Eu quero viver a vida, sentindo-a. Eu quero viver com os que me rodeiam, amando-os abertamente. Eu quero dar sem receber nada em troca, porque estou grata, muito grata, por tudo o que a vida me tem dado. Eu não quero fazer muito, mas quero fazê-lo com toda a alma. 

Deixo um pequeno excerto de um dos textos que me ajudou a chegar aqui. Onde estou hoje.



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Se uma pessoa se aceitar tal como é e usar as suas capacidades para desenvolver a criatividade - e todas as pessoas nascem com certas capacidades, determinados talentos e alguma criatividade será imensamente feliz apesar de não ser ninguém. Um indivíduo não tem de ser forçosamente feliz só porque se converteu no homem mais rico ou no homem mais poderoso do mundo. Estas são as noções infantis do homem primitivo, um fardo que temos carregado até aos dias de hoje. 
Eu gostava de lhe pedir: abandone as palavras «aceitação total». Substitua-as por palavras simples e sinta-se alegre interiormente. No momento em que se alegrar em si mesmo, toda a existência se alegra em si. Terá, então, alcançado a sintonia com a dança harmoniosa que acontece ao seu redor. 
Só o homem se desfez em pedaços, e o motivo por que se desfez tem que ver com o facto de querer ser especial. Se quiser ser especial, terá de aceitar algum tipo de loucura. (Osho)



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