quinta-feira, 15 de março de 2018

Gestora de Família | Rotinas

Como vimos, no post anterior desta série da Gestora de Família, a nossa vida, de uma maneira geral, decorre num ciclo anual, dentro do qual sucedem-se, de forma recorrente, um conjunto muito significativo de atividades e compromissos. O plano de atividades serve, pois, o propósito de nos organizar e nos planear dentro desse ciclo anual, libertando a mente da preocupação de não esquecer datas importantes, nem atividades de máximo valor, como por exemplo consultas de rotina ou pagamento de impostos.


A criação de rotinas serve exatamente para o mesmo, mas em vez de o fazer à escala anual, fá-lo numa micro escala, a diária ou semanal. Até instituíres uma rotina, uma pequena tarefa, como preparar as lancheiras para o dia seguinte, irá exigir do teu foco, o teu raciocínio e um conjunto de decisões que vão cansar-te. No entanto, se utilizares essas tarefas recorrentes no teu dia/semana para descansar a mente, poderás aplicar toda a tua energia em reflexões e decisões que irão agregar mais valor à tua vida. 

Sim, estou a falar de criar rotinas no sentido de conseguires fazeres tarefas em piloto automático. E não, não é um contra-senso no que diz respeito às práticas de mindfullness. Porquê? Bem, bem, quando conduzes está a pensar no que estás a fazer com os pés e com as mãos? Estás a tomar decisões conscientes sobre se deves levantar o pé da embraiagem 2 ou 5 cm? Não! Porquê? Porque conduzes em piloto automático. Claro! Quando começaste a conduzir, exigia muito de ti, todas aquelas decisões e todas aquelas ações paralelas, visão, mãos, pés, etc.. E agora? Nada. Apenas a atenção à estrada e aos sinais de trânsito.  

Criar rotinas é isso mesmo, é gerar procedimentos que possam ser feitos sem decisões, que fluam automaticamente de tão mecanizados que estão no teu dia-a-dia. E isso terá um valor enorme para ti porque encaminhará o teu dia-a-dia, pelo menos em termos, digamos, operacionais, ficando-te mais tempo para atividades de maior reflexão ou exigência.

A ti, Gestora de Família, cabe-te a tarefa de verificares quais são as parcelas do dia que podes reverter para rotinas. Depois, deverás criar a estrutura da rotina, aplicares e verificares se precisa de adaptações. Não serás tu a única que deve entrar na onda da rotina, todos os membros da tua equipa deverão criar as suas rotinas individuais e participar nas rotinas comuns.


Photo by Erol Ahmed on Unsplash

Exemplo: Chego a casa após o trabalho e as rotinas começam a fluir: eu tenho que preparar as lancheiras, as roupas e as mochilas para o dia seguinte e fazer o jantar. A filha chega e sabe que tem que ir despir-se e tomar banho, o pai acompanha. Jantamos, a seguir eu e a pequena vamos lavar os dentes e despachar para a cama, o pai fica a arrumar a cozinha. Foram muitas decisões que se pouparam e muitas atividades que fluíram naturalmente.

Não te vou dizer quais as rotinas certas, isso não existe, és tu quem gere a tua família, reúne com a tua equipa, observa o vosso quotidianos, pondera onde estão os momentos mais críticos da vida familiar e experimenta introduzires uma rotina. Mas tem bem presente, que como todos os hábitos, a rotina demora algum tempo até estar automatizada. Não desistas. Persiste, o resultado valerá bem o esforço inicial.

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