terça-feira, 28 de novembro de 2017

Aceitação e Perdão

A aceitação é uma peça fundamental para uma vida feliz e para o nosso desenvolvimento enquanto seres humanos, enquanto gestores de emoções. A aceitação não é resignação, nem comodismo. A aceitação é sabedoria e serenidade. Na verdade a nossa vida pode distinguir-se em duas áreas:

– aquela que podemos mudar

– aquela que não podemos mudar 

E o maior sinal de sabedoria é quando sabemos distinguir as situações, se estamos perante algo sobre o qual temos influência, ou não. A partir daqui podemos agir e mudar, se for esse o caso, ou aceitar caso estejamos perante uma situação que nos foge totalmente ao controlo.

Só com o facto de reconheceres  e distinguires as situações, já conseguirás diminuir a tua ansiedade e angústia e ter uma conduta mais serena. E vê bem, se estás triste porque tiveste uma perda muito significante para ti, então estás perante uma situação que não podes mudar. Não poderás trazer a pessoa de volta, tens então de aceitar. Esta aceitação diminuirá a tua revolta, a tua auto-comiseração. Esta aceitação fará com que consigas encaixar aquele acontecimento como algo próprio da vida e assim também será próprio que chores a dor e, aceitando desta forma a tua emoção, vivê-la-ás e deixá-la-ás passar e diluir-se.
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Ou seja, a aceitação altera a forma como nos relacionamos com as nossas emoções, dotando-nos da capacidade de sermos intencionais e assim deixamos de ser dominados pela emoção porque tornamo-nos conscientes da forma como agimos.

O perdão é outro pilar fundamental de uma estratégia para a felicidade. Quando não perdoamos significa que estamos a reviver a dor como se ela estivesse a acontecer no presente. Qualquer responsabilidade que os outros poderão ter tido no acontecimento que te gerou dor desapareceu, ficou no passado. Agora só tu és responsável pela dor permanecer. Tens de perdoar. 

Tu não tens que gostar daquelas pessoas, tu não tens que ser amigo delas. Mas tens que te distanciar do acontecimento, das suas acções. Tens que te libertar dessa carga emocional que prejudica as tuas emoções.

Perdoa-te por teres permitido que aquilo acontecesse. Muitas vezes responsabilizamo-nos pelo mal que nos acontece e que é esta responsabilização que não nos deixa prosseguir. Tenta perceber que a forma como agiste naquela altura foi a que conseguiste. Era a única possível para quem eras no momento e para os recursos que tinhas ao teu dispor. Mesmo que hoje fizesses diferente, naquela altura não podias ter feito melhor, não sabias mais. 

Qualquer um destes pilares, a aceitação e o perdão, evoluem de uma capacidade muito importante e que deverás desenvolver se pretendes ter uma gestão das tuas emoções. Estou a falar do desapego.

O desapego é colocares-te em posição de observador. É olhares para as tuas emoções consciente de que as podes gerir. De que elas são tuas, mas não são tu. Tu não és as tuas emoções. Tu és muito mais. Tu podes e deves filtrar os teus pensamentos, as tuas emoções. Deves compreendê-las, perspectivá-las na sua verdadeira dimensão, uma manifestação do que estás a sentir, nada mais. Não mandam nas tuas reações, não te obrigam a agir. 

Desapega-te, tu és mais. Tu és  muito mais. Aceita. Perdoa. Evolui. 


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