terça-feira, 9 de maio de 2017

Vida profissional x Vida pessoal

Durante muito tempo fui adepta de não misturar as áreas da minha vida. Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque. Mas aos poucos, e como um ensinamento de vida, fui aprendendo que, pelo menos para mim, esta distinção não faz sentido.

Eu sou uma só pessoa, com uma só vida. É bem verdade que a minha vida tem diferentes áreas, mas todas elas me compõem neste momento, umas são mais importantes, outras mais constantes, mas todas elas integram este pequeno universo que sou eu.
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Enquanto fazia a distinção sentia que estava a defender a minha vida pessoal, mas aos poucos comecei a perguntar-me: "estás a defender a tua vida pessoal do quê? e a tua vida profissional, não defendes?". Paulatinamente fui interiorizando que o que me fazia distinguir as áreas de forma tão estanque era eu não me reconhecer na minha vida profissional e considerá-la, de facto, uma afronta, uma obrigação que me era imposta, talvez porque precisava ganhar dinheiro, mas mesmo assim imposta. E foi quando me apercebi deste sentimento de base que comecei a perceber outras realidades que habitavam no meu inconsciente.

Antes desta defesa da vida pessoal, eu tinha passado por uma fase em que a vida profissional tinha tido prevalência. Levava muito trabalho para casa, ficava no trabalho fora de horas e as questões profissionais ocupavam o meu pensamento. Nessa altura, eu dizia que tinha brio profissional e que a minha forma de viver era investir na carreira. Mas vim a consciencializar-me de que aquilo que eu fazia de facto era negligenciar tudo o que não era trabalho. E porquê? Porque é que eu dava uma primazia tão marcada ao trabalho nessa altura? Concluí, mais tarde, que era porque o trabalho me ajudava a definir-me. Que tinha poucas referências fora do trabalho que eu considerasse ser merecedoras de me identificarem. Faltava-me autoconhecimento, faltava-me equilíbrio.

E foi quando eu me olhei ao espelho e, honestamente, me interroguei sobre o motivo para o meu desequilíbrio e para as minhas ações extremistas que eu pude, genuinamente, conhecer-me como ser integral.

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Hoje reconheço-me como uma pessoa complexa com vários focos de ação cujo equilíbrio passa por permitir momentos de desequilíbrio. Como é que é isto na prática? Bem, a questão é que levo a vida como se fosse uma malabarista de projetos, cada um desses projetos sou eu numa vertente minúscula da minha vida. Assim, o ótimo é quando todas as partes de mim estão fluídas, num ritmo cadenciado e harmonioso e eu consigo manter-me estável sem esforço. Mas há momentos em que um dos projetos exige um esforço maior, seja porque é altura de uma festividade familiar (que exige muito planeamento, telefonemas, listas, organização, contratação de serviços), ou porque me atrasei na composição dos posts do blogue e tenho uma série inteira para fazer, ou porque há um projeto profissional que exige a minha total concentração e muitas horas de trabalho.

Nesse momento, em que uma das vertentes exige essa atenção especial, eu permito o desvio. Permito o desequilíbrio  e tanto poderás ver-me em casa à noite agarrada ao computador a trabalhar, como durante o horário do trabalho a fazer um telefonema para encomendar o bolo de aniversário da minha filha. Da mesma maneira, tanto posso ficar no trabalho para lá do meu horário para completar um projeto, como posso sair mais cedo para assistir ao desfile de Carnaval da escola da pequena.

A harmonia de todas estas facetas que são a nossa vida, não é o resultado de uma situação estanque. Mas antes, é o resultado de um movimento coordenado e de um pensamento capaz de prever, planear e executar as prioridades certas no momento oportuno.

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