quinta-feira, 25 de maio de 2017

O Último Cabalista de Lisboa - Richard Zimler

Há duas semanas escrevi um post com o estado da nação no que diz respeito ao Desafio de 12 Leituras em 2017. Logo nesse momento comprometi-me a ler para o ponto 6 (Ler um livro de um autor que não conheço) O Último Cabalista de Lisboa de Richard Zimler. 

Assim o prometi e assim o fiz. Devo dizer que entretanto fui à Biblioteca Municipal e lá me distraí das minhas intenções e agora ando de volta de Stephen King,vamos ver se não me perco por causa disto.

O Último Cabalista de Lisboa é tão somente um dos melhores livros que já li. Atrevo-me a dizer que é brilhante. É brilhante pela sua escrita, não só pela forma e construção mas pelo cuidado com que escolhe as palavras, a sua diversidade. Vê-se claramente que não vai escrevendo, mas que pensa e amadurece o ato de escrever. É admirável.

É brilhante a complexidade da história. As personagens bem construídas e apresentadas, por vezes, em pequenos pormenores, não nos são entregues, nós vamos descobrindo-as ao longo do livro, somos envolvidos. A história em si, a complexidade, a densidade da trama. O conteúdo que não cansa mas parece, também, não se esgotar. As descobertas constantes. Um fôlego inesgotável que nos faz querer respirar o livro.

Mas mais brilhante ainda, a descrição histórica. Zimler levá-nos para Lisboa do século XVI. Sentimos o cheiro, vemos as paredes, os hábitos, os costumes. É absolutamente brilhante. 

O que falta? Para mim faltou apenas uma coisa, o toque de cor que eu tanto gosto e que me deixa rendida. Mas talvez aqui, neste livro, nesta história, esse toque de cor lhe fosse tirar toda a sua grandeza. É o seu tom "sépia" que a mim me cativou e me raptou para Lisboa quinhentista entre os bairros judeus.

Muito grande, este livro. Soberbo.



Sinopse
(retirei da Wook)
Em abril de 1506, durante as celebrações da Páscoa, cerca de dois mil cristãos-novos foram mortos num pogrom em Lisboa e os seus corpos queimados no Rossio. Reinava então D. Manuel, o Venturoso, e os frades incitavam o povo à matança, acusando os cristãos-novos de serem a causa da fome e da peste que flagelavam a cidade.

Berequias, sobrinho e discípulo de Abraão Zarco - iluminador e membro respeitado da célebre escola cabalística de Lisboa -, vai encontrar o tio e uma jovem desconhecida mortos na cave que servia de templo secreto desde que a sinagoga fora encerrada pelos cristãos-velhos. Um valioso manuscrito iluminado também desapareceu do seu esconderijo. Estarão os dois incidentes relacionados? Terá sido um cristão ou um judeu, como os indícios fazem crer, a assassinar o tio? Quem será a rapariga morta?

Publicado originalmente em Portugal, O Último Cabalista de Lisboa é um extraordinário romance histórico, que catapultou o seu autor para um sucesso internacional, tendo sido publicado em toda a Europa, nos Estados Unidos e Brasil, onde depressa se tornou um bestseller.

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