quinta-feira, 2 de março de 2017

A filha da minha melhor amiga - Dorothy Koomson

Ai a Dorothy, um porto seguro, um lar cheio de conforto, a certeza de uma leitura apaixonante.

Não há como apontar defeitos. Já li um conjunto bem significativo de livros desta autora e continuo a ser surpreendida pela magnificência da sua escrita. Em cada livro que leio descubro mais uma razão para o encanto que Dorothy tem. Mais me rendo à sua escrita, mais me deixo deslumbrar pela magia que uma mulher, como tantas outras, pode trazer dentro de si.

Com a leitura deste livro, A filha da minha melhor amiga, descobri aquilo que já sabia, mas que parecia ficar no meu inconsciente quando pensava na autora. Dorothy descreve tudo ao pormenor, mas dá-lhe uma volta e fá-lo perder a qualidade de pormenor e engrandece-o como sendo um elemento que nós, leitores, estamos a ver com os nossos próprios olhos. Não sei como o consegue fazer, mas consegue.

Ela dá-nos todos os elementos para que vejamos as cenas e não as leiamos, pelo menos que nos pareça que estamos a ver em vez de ler. Induz-nos no pormenor dos atos, dando-lhe não um nome, mas uma sequência de movimentos e momentos que nos fazem viver as cenas.

Este truque é mesmo magia, porque tira-nos do cadeirão de leitor e coloca-nos no meio dos acontecimentos.

A filha da minha melhor amiga é um livro portentoso, que nos tira o fôlego e nos faz querer ler, ler, ler. Vivemos a reviravolta das emoções da personagem principal e conseguimos perceber a complexidade dos acontecimentos e dos sentimentos envolvidos. As personagens estão bem estruturadas, melhor dizendo, a personagem principal, a Kamryn está  bem estruturada e bem definida, com todas as caraterísticas do ser humano, a força, a fraqueza, a bondade, a maldade. As restantes personagens, embora bem tratadas e bem interligadas na história, são todas mantidas num plano muito secundário.

Aliás, esta é uma característica da composição de personagem que tenho sempre encontrado nos livros de Dorothy. São histórias sobre as emoções de uma mulher negra. A personagem principal é sempre uma mulher negra e as histórias são sempre à volta das emoções que essa mulher vive, relativamente a uma situação/acontecimento particular que a marca e condiciona. Como vês o enredo e a estrutura não são por aí além. O segredo de Dorothy é mesmo a arte com que escreve, é o dom que tem para, por palavras,  nos tornar seus reféns.

Sinopse
(retirei da Wook)

A forte relação de amizade entre Kamryn Matika e Adele Brannon, companheiras desde os tempos de faculdade, é destruída num instante de traição que marcará as suas vidas para sempre.

Anos depois desse incidente, Kamryn é uma mulher com uma carreira de sucesso, que vive sem ligações pessoais complexas, protegendo-se de todas as desilusões. Mas eis que, no dia do seu aniversário, Adele a contacta... A amiga de Kamryn está a morrer e implora-lhe que adote a sua filha, Tegan, fruto da sua ilícita relação de uma noite com Nate.

Terá ela outra escolha? Será o perdão possível? O que estará Kamryn disposta a fazer pela amiga que lhe partiu o coração?

Uma viagem dolorosa e comovente de autoconhecimento, uma leitura de cortar a respiração.

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